segunda-feira, outubro 25, 2021
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Bom dia, Procurador Mauro

Essa semana assisti ao início da campanha no segundo turno e percebi uma coisa. Sim, a sua ausência. Você, Mauro, que era o líder, não chegou lá né? Graças a Deus.

Bom, como você não estava lá, fui procurar a sua reação, e encontrei um vídeo onde o senhor culpava “as elites” por uma dita “campanha difamatória” que teria te derrubado. Fiquei confuso.

Confuso por ter escrito um texto contra o senhor e não ser elite. Aliás, isso foi um dos grandes pontos em que se apegaram os seus defensores: como eu, mero editor de imagens, funcionário de nível médio, ousava vir a público questionar o plano de governo de um procurador federal, funcionário de nível superior, com rendimentos na casa dos R$ 20.000,00 mensais?

Como eu, jovem “zé ruela”, poderia criticar um plano de governo pensado pela elite intelectual com amplo apoio de professores da universidade federal? Pois é Mauro, eu não sou elite. Elite é você, e seus seguidores adoraram citar isso para me descredenciar.

Aliás Mauro, não é só você que é elite. São seus eleitores. São os eleitores do seu partido. Infelizmente não temos em Cuiabá dados demográficos completos das pesquisas eleitorais ou das votações obtidas, mas, vamos pegar o perfil do eleitor do PSOL nos grandes centros?

O herói máximo do seu partido esse ano é Marcelo Freixo. Ele aliás tem exatamente o mesmo plano de governo que o senhor tinha: estatizar o transporte e estatizar todo o resto que o município puder, sem citar de onde viria o dinheiro. Onde estão os votos de Marcelo Freixo? Na Tijuca? Na Zona Norte? Não. Freixo é o campeão de votos em Copacabana e no Leme, e tem ótimo desempenho em Ipanema e no Leblon. Não é o povão que vive nesses bairros, Mauro.

Sim, você é elite e os eleitores do seu partido tendem a ser elitistas.

Ainda que exista alguma elite trabalhando contra você, Mauro, você atingiu 24% dos votos, e Cuiabá não tem 76% de elite. Talvez um pouco de humildade em reconhecer a derrota não lhe faça mal.

Agora, Mauro, eu vou te dar uma dica. Quem sabe você consiga repensar seu plano de governo para as próximas eleições (depois do seu desaparecimento de sempre, certamente concorrerá ao governo do estado, correto?). O motivo do seu plano de governo não atingir o povinho zé ruela como eu é que nós sabemos que não se pode gastar mais do que se tem, senão criamos dívidas, e vem os juros, e as dívidas aumentam, e nós sofremos para pagar. Como esse tipo de atitude daria certo na prefeitura?

Não, não é discurso da desesperança. É discurso da realidade. Se uma empresa agir assim ela quebra. Se uma família agir assim ela passa dificuldades. E se um governo agir assim um povo inteiro sofre! Quem tem orçamento mais curto sabe disso e não se arrisca.

Quem é da elite dos servidores federais concursados em nível superior, por mais que tenha vindo das camadas mais baixas da população talvez já tenha esquecido dessa lógica básica.

Por fim, Mauro, gostaria de te convidar para exercitar a democracia. Contestar seu plano de governo não é baixaria. Você apresentou propostas e elas foram criticadas, isso é o normal. Baixaria é tentar rebaixar quem simplesmente apontou as contradições do seu plano de governo e de sua campanha. Baixaria é acusar essas pessoas de terem sido beneficiadas de formas escusas. Baixaria é basicamente toda a sua estratégia contra pessoas que, como eu, tiveram a audácia de contestar suas propostas.

Vale a reflexão: talvez, Mauro, o problema não sejam as elites obscuras tentando te derrubar. Talvez o problema esteja em você.

Heitor Santana
Publicitário, pós-graduando em Escola Austríaca, Coordenador do MBL em Mato Grosso e do Instituto Liberal de Mato Grosso.
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