Entrevista com Heitor Santana do MBL e do Partido Novo

3170
Heitor Santana MBL Partido Novo

Heitor Santana é figura icônica no movimento liberal mato-grossense. Além de diretor do Instituto Liberal de Mato Grosso, já participou da rede Estudantes Pela Liberdade, foi um dos fundadores do Instituto Caminho da Liberdade, estudou na primeira turma de pós graduação em Escola Austríaca do Brasil, é coordenador do Movimento Brasil Livre e ainda pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo, sendo um dos primeiros filiados ao partido no estado.

Para conhecer um pouco essa figura, recebemos ele no Use Coworking para falar um pouco mais de suas ideias.

ILMT: Você já participou de praticamente todas as iniciativas liberais que existiram em Mato Grosso até hoje. De onde veio essa ligação com as ideias de liberdade?

Heitor Santana: Eu sempre acreditei bastante no capitalismo, mesmo sem entender muito do assunto, nem me interessar. Ainda no ensino fundamental, ali na sétima ou oitava série, quando temos aqueles professores mais de esquerda, fazendo propaganda mesmo das ideias deles. Eu cheguei a ficar impressionado, mas uma coisa me incomodava, e eu fui perguntar pra minha mãe sobre essas ideias que o professor falava com tanto amor em sala, perguntar o motivo daquilo nunca ter sido implantado no Brasil, e ela me respondeu: “se funcionasse você acha que alguém já não teria tentado? Procura aí na internet onde é que isso foi aplicado e quais foram os resultados”. Bom, o discurso bonito nunca mais me pegou, eu já estava vacinado.

Ter o liberalismo como militância mesmo, por assim dizer, só quando eu pisei na UFMT e senti o quanto as ideias de livre mercado, que dão certo no mundo todo, são odiadas no Brasil sem razão alguma. Nunca tiveram sequer a oportunidade de tentar dar certo por aqui e já são demonizadas. Eu entendi naquele momento que eu tinha que fazer alguma coisa, eu tinha que espalhar tudo que eu aprendi desde aquela pesquisa no Google que minha mãe me pediu para fazer. Como disse, eu já estava vacinado, mas na universidade eu descobri que a epidemia já estava espalhada há tempos, e precisávamos de uma campanha de imunização.

ILMT: Mesmo sendo um liberal, você é funcionário publico. Não vê nisso uma contradição?

Heitor Santana: Não, talvez se eu fosse fiscal da receita federal (risos).

Mas assim, falando sério, temos sempre que levar em consideração a realidade que vivemos: infelizmente empreender no Brasil é um desafio diário, e infelizmente o serviço público é estimulado com grandes benefícios enquanto que o trabalho na iniciativa privada só encontra entraves. Essa é nossa realidade.

É melhor ter um liberal lá dentro, alguém que entenda que esse dinheiro saiu do bolso de outra pessoa, que o estado não gera riqueza, e quem gera riqueza é o individuo; alguém que respeite isso, respeite a origem desse dinheiro, do que alguém que odeia a iniciativa privada e acha que quanto mais for tirado dela melhor.

ILMT: Então, liberais e libertários podem participar da politica?

Heitor Santana: Não só podem como devem. De que outra forma podemos mudar aquela realidade que eu descrevi na pergunta anterior? Quanto mais gente comprometida com as ideias liberais dentro da política, atuando, fazendo a diferença, melhor.

ILMT: O que você acha que o liberalismo pode trazer para o Brasil?

Heitor Santana: O liberalismo é como Bombril, tem 1001 utilidades. Além dos benefícios óbvios de dar mais liberdade para o indivíduo empreender e tocar sua vida, também traz mais oportunidades de crescimento, mais investimento, mais emprego, mais renda e melhor qualidade de vida. Aqui no Brasil as ideias liberais podem trazer um avanço significativo na questão do combate à corrupção, por exemplo.

Hoje, com tanta burocracia, o estado tem um poder de decisão sobre os mais variados aspectos da vida de um individuo, e usa esse poder para dificultar as coisas de tal forma que acaba sendo vantajoso ao indivíduo se corromper para seguir trabalhando, para seguir a sua vida. É o que chamamos de “criar dificuldade para vender facilidade”, o que evolui também para “criar dificuldade para que só eu e meus amigos tenhamos facilidades.” Acabar com essa lógica é desburocratizar, desestatizar. Isso é liberalismo na prática.

ILMT: Hoje você é pré-candidato pelo partido Novo. Se você for eleito, quais seriam as suas prioridades?

Heitor Santana: É tanta coisa para ser feita que fica até complicado falar em prioridades. Temos, por exemplo, os compromissos do partido Novo de abrir mão de vários privilégios que os políticos têm por serem políticos, isso é algo que precisa urgentemente mudar e é uma prioridade do partido. Inclusive já assinei um termo de compromisso com o partido nesse sentido. A minha proposta hoje é ser o parlamentar mais econômico da história de Mato Grosso.

Tem a segurança pública, com 60 mil assassinatos por ano, quer dizer, precisamos buscar uma forma de acabar com a impunidade, resolver esses crimes e punir. Nesse sentido temos a proposta do ciclo completo de polícia, do endurecimento da legislação, da redução das progressões de pena, o fim das saidinhas como no natal ou no dia das mães e o fim do estatuto do desarmamento, devolvendo ao cidadão o seu direito a legitima defesa.

O bandido tem que saber que se ele cometer um crime, ele vai ser responsabilizado e punido, coisa que não acontece hoje, e tem que ser prioridade.

Além disso acho que temos pelo menos três reformas que não podem esperar mais 4 anos: reforma da previdência, reforma tributária e reforma do pacto federativo.

A previdência hoje é o maior rombo no orçamento da união. A galera mais de esquerda gosta muito de falar da dívida pública, mas dívidas não surgem do nada, elas surgem porque o estado gasta mais do que arrecada, e a maior face desse problema de gasto maior que receita é a previdência. Para resolver o problema da dívida é urgente resolver o problema da previdência.

As outras duas reformas têm que acontecer em conjunto. Os estados e os municípios tem que ter sua autonomia administrativa assegurada, têm que conseguir tocar seus serviços e realizar suas obras sem precisar ir até Brasília pedir recursos. Esse processo de depender de recursos da união para atuar é um dos motores da corrupção também. Cada carimbo, cada liberação, cada processo, cada estágio, é uma barreira a mais de dificuldade, e como eu já disse, se tem dificuldade tem alguém para vender facilidade. O dinheiro precisa estar mais perto de onde ele vai ser aplicado, de onde o povo vai sentir de fato, precisamos descentralizar os recursos, reduzir as possibilidades de desvios no percurso e conseguir reduzir a carga tributária geral.

ILMT: Qual é sua expectativa para as eleições deste ano?

Heitor Santana: 2018 é uma oportunidade ímpar para colocar no congresso gente comprometida com essas transformações, e eu espero que consigamos aproveitar essa oportunidade.

SimSite Agência Digital

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here