Escolas particulares de baixo custo estão transformando a África

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Escolas de baixo custo na África

(Texto original escrito por Tom Vander Ark para o site da Forbes e traduzido por Douglas Gonzaga para o ILMT.)

Enquanto visitava as gigantes favelas aos arredores de Nairóbi, no Quênia, me surpreendi ao descobrir que a maioria das crianças estudavam em escolas particulares. Como o Professor James Tooley compartilhou em seu livro, The Beautiful Tree ( A Linda Árvore, em português) empreendedores da área de educação nas favelas da África e Ásia estão lidando com o problema do acesso à educação de qualidade, desenvolvendo escolas particulares de baixo custo.

O grupo mais importante trabalhando neste setor é a Bridge International Academies liderada por Jay Kimmelman. Após vender um sistema de avaliação a uma editora 15 anos atrás, ele começou a investigar a educação em países subdesenvolvidos em comunidades onde os pais ganhavam menos de 2 dólares por dia.

Com a visão partilhada de criar um sistema educacional acessível e de alta qualidade, Kimmelman e o co-fundador Shannon May, lançaram Bridge em 2007 e abriram uma escola em Nairóbi em 2009, onde começaram a trabalhar no custo e nos padrões de qualidade.

Um sistema de pagamentos via celular fez as mensalidades custarem cerca de $5 ( agora estão por volta de $7) e ficarem mais acessíveis ao bolso. No final de 2010 eles já tinham 1.300 estudantes e um sistema de desenvolvimento escolar bem planejado.

O modelo é baseado em professores bem assistidos, lições de acordo com o currículo pedagógico do país e uma plataforma tecnológica possibilitando a instrução personalizada.

Uma típica escola Bridge é um prédio com telhado de aço galvanizado no meio de uma favela movimenta com um campinho sujo. As escolas Bridge são construídas por menos de $2,000 a sala de aula. O gerente do centro educacional utiliza um smartphone para administrar a escola e se beneficia de um bom serviço de back-office.

Os professores baixam as lições em um tablet com até uma semana de antecedência da entrega e elas permanecem offline por até 2 semanas (uma vantagem onde o acesso à internet é difícil).

No Quênia, as escolas Bridge ultrapassam a média nacional (incluindo escolas públicas e privadas de elite). Em Uganda, os estudantes da Bridge alcançam 100% de aprovação. Mais de 93% passam nas duas melhores categorias, contra 56% da média nacional.

A Bridge opera mais de 600 escolas atendendo mais de 120.000 estudantes em cinco países. Através de uma parceria público-privada nigeriana eles ajudam mais algumas centenas de escolas.

Um número crescente de pupilos, em sua maioria garotas, se deram tão bem em escolas Bridge que ganharam bolsas de estudos em colégios de prestígio nos Estados Unidos.

Escolas Parceiras

Em 2016, o governo da Libéria criou uma parceria em que a Bridge ficou responsável por administrar 25 escolas. Em 2017, receberam mais 43 escolas. O relatório Learning in Liberia (Aprendendo na Libéria) revelou impressionantes ganhos de aprendizado dos pupilos da Bridge depois de apenas 4 meses. Uma avaliação das escolas parceiras após o primeiro ano mostraram ganhos de aprendizado de 100%.

Devido à infraestrutura da Bridge ser leve e barata, pode ser usada em lugares temporários como campos de refugiados. Um programa piloto no Líbano com refugiados sírios mostrou resultados promissores.

A Bridge tem um memorável time de investidores parceiros incluindo Bill Gates, Mark Zuckerberg, Pierre Omidyar, Vinod Khosla, e os melhores investidores de impacto em tecnologia educacional.

Além de ser um ótimo lugar para estudar, a Bridge foi eleita um dos 10 melhores lugares para se trabalhar na África.

Nosso novo livro, Better Together (Melhor Juntos), retrata a Bridge como um exemplo de plataforma de network – um grupo de estudantes que compartilham de um modelo de ensino, plataforma de recursos e oportunidades de aprendizado para professores. A habilidade de investir em P&D e compartilhar as melhores práticas através de uma rede internacional propicia as oportunidades de network – as escolas Bridge ficam melhores à medida que a sua rede de relacionamentos fica maior.

Uma Nova Fase para as Escolas de Baixo-Custo

Uma década após o professor Tooley introduzir ao Oeste o conceito de escolas privadas de baixo-custo, o progresso feito pela Bridge International sugere uma mudança global no sentido de elevar o setor privado como um importante parceiro no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

O desenvolvimento inclui uma mudança no foco para aprendizado ao invés de acesso. Os ganhos de aprendizado por escolas geridas e assistidas pela Bridge em vários países prova que o modelo funciona. Nas escolas Bridge da Libéria, as crianças aprenderam duas vezes mais rápido que as outras, disse Joanna Hindley.

Um outro sinal de progresso é a mudança de apenas utilizar modelos de escolas acessíveis no Quênia e Uganda para parcerias público-privadas na Libéria e Nigéria, além da parceria da infraestrutura em Andhra Pradesh, India.

Apesar da mudança de regime na Libéria, o Ministro da Educação anunciou que estão comprometidos com o programa através de um anúncio, “a reestruturação garantirá que os ganhos significativos de aprendizado entregues pelo programa possam ser mantidos”.

Com uma soma considerável arrecadada para o programa na Libéria e o novo investimento por parte de organizações como a Nigerian Sovereign Investment Authority ( Autoridade de Investimento Soberano da Nigéria), a Bridge aspira educar 10 milhões de crianças até 2025.

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