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O curioso caso do fracasso da greve geral de junho e o axioma da ação humana

O famoso economista austríaco Ludwig von Mises define um axioma para a ação humana – diz ele que um indivíduo só age ou deixa de agir para sair de uma situação menos satisfatória para ele visando uma mais satisfatória. A princípio pode parecer uma forma de egoísmo puro que levaria a sociedade à decadência se fosse verdade, mas Adam Smith dá um exemplo ótimo de como isso acontece na prática quando diz que não é pela bondade do padeiro que você come pão no seu café da manhã, e sim pelo desejo do padeiro em obter lucro com a venda de pães. A concorrência faz o resto do trabalho. Vários padeiros na mesma cidade faz com que cada padeiro busque adaptar seus produtos e serviços de forma a atingir o maior público, então a qualidade sobe e o preço cai.

É importante ressaltar que o axioma da ação humana como proposto por Mises não ignora a caridade. Se ser caridoso proporciona satisfação ao indivíduo, ele vai agir nesse setor, atendendo aos menos favorecidos para ter satisfação própria.

Os movimentos de esquerda por sua vez não gostam dessas abordagens individualistas da sociedade, para eles isso é um discurso burguês usado para justificar a dominação de uma classe sobre a outra. Por esse motivo talvez, é um tanto mais interessante quando o axioma se mostra verdadeiro justo dentro de um antro esquerdista: o movimento sindical.

Eis que no dia 30 de junho de 2017 os sindicatos brasileiros convocaram uma greve geral para protestar contra a reforma trabalhista que está sendo pautada no congresso. Segundo os sindicatos essa reforma retira direitos dos trabalhadores, e como benevolentes guerreiros dos oprimidos, os sindicatos iriam à luta para barrá-la. O porém é que um dos pontos da reforma é o fim do imposto sindical, que destina milhões de dinheiro tirado dos “trabalhadores oprimidos” todos os anos e dá aos sindicalistas, e, ao receberem uma indicação de que esse ponto poderia ser flexibilizado, os sindicalistas tão guerreiros simplesmente decidiram esvaziar a “greve geral” previamente convocada.

Pois é, o axioma não falha, nem mesmo sindicalistas agem se não para aumentar o próprio nível de satisfação, mas vai além, mostra às claras que os sindicalistas não são esses seres caridosos e benevolentes que se autoproclamam. Se fossem pelo menos 10% do que dizem ser, seguiriam na luta pelos seus, ainda que isso pudesse significar perdas individuais no futuro.

Outro caso interessante para se ver o axioma da ação humana se revelando e arrancando a máscara de sindicalistas, é um que a minha sogra conta. Ela havia passado em um concurso público para professora na rede estadual de Mato Grosso, e por erro acabou ligando no sindicato para obter informações de como assumir a vaga. O diretor do sindicato fez de tudo para demovê-la da ideia de assumir o cargo, argumentou que ela já teria certa idade e carreira estabelecida – logo deveria deixar essa vaga para professores mais jovens e inexperientes. A princípio ela não assumiu a vaga, ainda que precisasse do emprego naquele momento, acabou convencida por uma amiga, professora na escola para a qual ela foi designada. Na escola ela descobriu (sob apelo do diretor para que ela não assumisse) que havia passado para assumir uma vaga ocupada provisoriamente pela filha de uma diretora do sindicato dos professores.

Dar estabilidade aos professores indistintamente não era lá uma pauta tão forte para a diretoria do sindicato quanto garantir o emprego da filha de um dos seus.

Pois é, a capacidade de pensar no próximo não anula a verdade do axioma da ação humana proposto por Mises. Conhecer o axioma, no entanto, pode nos mostrar a real natureza de muitos líderes demagogos espalhados pela sociedade, como acontece no movimento sindical.

Heitor Santana
Publicitário, pós-graduando em Escola Austríaca, Coordenador do MBL em Mato Grosso e do Instituto Liberal de Mato Grosso.
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