quarta-feira, dezembro 8, 2021
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O movimento Liberal deve se render ao politicamente Correto?

Porque não devemos nos render à agenda das minorias ou do politicamente correto

As pessoas que acreditam estar trabalhando por um mundo mais justo, mais inclusivo para as minorias, na verdade, estão construindo as grades que vão conter a nossa liberdade e são aqueles que fomentam a ação dos grupos de justiceiros sociais, os quais acabam agindo de forma completamente abusiva e agressiva, contra qualquer senso comum baseado na realidade e nos fatos.

Sabemos que a realidade é algo que incomoda, que machuca e que não se rende às nossas fantasias e tentativas de se esconder dos fatos e da natureza das coisas. É sempre doloroso acordar de manhã e descobrir que você não é especial só porque acha que é. E dar voz a esse tipo de utopias no movimento liberal é algo muito perigoso, pois já aconteceu outras vezes na história do liberalismo.

Não podemos nos esquecer do alerta de Hayek, no livro O Caminho da Servidão, de que o socialismo substituiu aos poucos a doutrina liberal da maioria dos progressistas e que também engoliu as rezes liberais da Revolução Francesa. E que os fundadores do socialismo sempre se opuseram à liberdade de pensamento, pois sabiam que isso tornava impossível o avanço de suas agendas.

Vejamos o caso do Canadá, que estabeleceu uma lei para obrigar as pessoas a se utilizarem de certos modos de usar os pronomes de gênero. Qual o limite disso? Quem se lembra do projeto de lei que quase chegou a criminalizar o simples fato de alguém não concordar com alguma coisa da pauta gay? Devemos mesmo apoiar esse tipo de coisa?

A maioria das pessoas não sabe, mas já existem mais de 70 pronomes de gênero inventados por esta turma, tais como “zee”, “xI”, “ser”, “hir”, “wormself” e tantos outros pronomes bizarros. Isso para pessoas que não querem ser chamadas de “ele” ou “ela”. Tem alguns que acreditam ter nascido no corpo errado e que se vêem como animais, ou como elfos e querem ser tratados como tal. Tudo bem se a pessoa quer ser uma fada e acredita ser descendente da Tinker Bell, mas desde quando isso deveria fazer parte da agenda liberal?

Se isso fosse apenas uma tentativa inocente de criar uma nova forma de se comunicar, sem problemas, mas acontece que isto invariavelmente se transforma em uma luta por mais “direitos”, por “inclusão” e, finalmente, por leis que obriguem o resto da sociedade a se render à agenda deles. Daí passam a usar essas leis para perseguirem quem não concorda com isso.

Mas qual o problema de termos liberais acolhendo esse tipo de discurso e defendendo essa agenda? Não seria uma boa estratégia de cooptação de grupos de minorias?

Primeiramente, precisamos entender que essa agenda de minorias trata-se de uma demanda pós-moderna da velha doutrina marxista e de uma corrente que acredita que a única forma de diálogo entre as pessoas é baseado em estruturas de poder ou em categorias que estão sempre em conflito ideológico ou dividas em classes ou grupos. É uma revisitação da boa e velha luta de classes, do estigma do oprimido versus opressor. Ou seja, trata-se de uma grande armadilha para o movimento liberal.

Em segundo lugar, cria-se a narrativa de que, se alguém se coloca contra essa agenda é uma pessoa insensível, transfóbica, homofóbica, machista, fascista e por aí vai. São os sismos e fobismos usados como retórica falaciosa, conforme ensinado por Schopenhauer em seu livro sobre 38 maneiras de sempre ter razão em um debate. Isto deveria ser inadmissível em um movimento que preza indivíduos como a menor e mais importante minoria da terra.

Infelizmente, tudo acaba virando uma guerra de interpretação e de pontos de vista, onde as minorias precisam ser protegidas para poderem exercer algum tipo de dominância ou status social (leia-se posição de poder). E isso contraria um dos pressupostos mais basilares do liberalismo, que é a valorização dos indivíduos de acordo com suas virtudes e conquistas e não pelo simples fato de fazerem parte de algum tipo de categoria especial.

Nesse discurso de gênero, por exemplo, a biologia, a ciência e todo o senso comum que existe em torno disto se torna algo subjetivo e ideológico. A ciência passa a ser usada como instrumento de auto-afirmação de pautas ideológicas e não mais para a busca isenta da verdade ou para a interpretação da realidade.

O movimento liberal é rico e variado, obviamente precisa se espalhar mais, alcançar pessoas e criar narrativas que possam atrair aqueles que tradicionalmente são levadas para grupos de coletivistas e socialistas, mas não pode fazer isto sacrificando um de seus mais importantes pilares e muito menos se rendendo a essa agenda marxista-socialista. Sob pena de repetirmos os mesmos erros onde liberais igualmente sucumbiram no passado recente.

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