Precisamos tapar buracos

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Buracos no asfalto

Todo cuiabano que dirige está mais do que acostumado a desviar de buracos nas ruas da capital. Esse cenário é tão corriqueiro que a maioria de nós cria uma espécie de “mapa” em nossas memórias: traçamos a posição dos buracos; em que lado da pista eles estão; se estão escondidos após um quebra-molas, e por aí vai.

Não construímos esse “mapa” porque queremos. Fazemos por pura e simples necessidade – em geral, após termos “caído” nas citadas perfurações.

Buracos no asfalto representam mais do que perigo de acidentes ou do que simples inconveniências cotidianas: eles são mais uma evidência da incompetência dessa organização centralizada que chamamos de Estado (aqui, representada na figura da nossa “sempre eficiente” prefeitura). E veja bem: isso não é uma crítica à gestão atual. Troca-se a gestão e o mesmo problema volta, invariavelmente. Buracos são uma doença endêmica da administração da nossa cidade.

O Imposto Predial e Territorial Urbano – ou para os mais íntimos, IPTU -, supostamente, deveria ser usado, entre outras coisas, para a manutenção das vias públicas. Mas em um país em que, como dizem, “me obriga a ser anarquista”, essa verba nunca é utilizada em toda sua potencialidade.

Não venho aqui iludir ninguém a pensar que tenho conhecimento técnico sobre como fazer uma rua asfaltada. Todas as minhas impressões sobre o assunto podem simplesmente não passar de pura subjetividade. No entanto, é do conhecimento geral que, basta uma pouca influência das chuvas e do peso dos veículos para que o nosso asfalto se abra com certa facilidade.

Onde o Estado entra nisso, se ele não tem como controlar as chuvas? Deverá ele regulamentar que veículos sejam produzidos com menos peso, talvez?

A resposta é simples: o Estado não tem que se intrometer. Em nada. Nunca.

É aqui que o conflito começa. E esse conflito não começa sem razão, afinal nós, supostamente, “pagamos” pelo asfalto através das nossas “contribuições”. Mas, se “pagamos” ao Estado, cobrar uma solução que venha dele não seria justamente legitimar seu poder?

Obviamente que, quando lesados, exigimos reparação. Mas não temos como reaver nosso dinheiro: ele está refém do Estado. Dito isso, esse mesmo Estado não deveria, ao menos, “devolvê-lo”, mesmo que em parte, em forma de um asfalto novo, por exemplo? Ou mesmo em forma de um simples reparo? E se, ao confiarmos ao Estado essas ações, não abriríamos precedentes para que políticos bradem aos quatro ventos que “eles resolveram o problema da população” numa futura corrida eleitoral? Não seria isso uma forma de perpetuar essa escravidão?

Enquanto libertário, sinto-me na obrigação de sempre lembrar que, não importa a intenção da ação estatal, ela sempre será, invariavelmente, antiética, pois ela sempre dependerá do roubo institucionalizado. E como muito bem explicitado por Milton Friedman, quando gastamos o dinheiro de uns com outros, jogamos pela janela a razão para nos preocuparmos com o bom uso desse dinheiro. O Estado nunca priorizará economia e qualidade.

Uma solução? Voluntarismo: pessoas se juntando para resolver os problemas que o Estado não resolve. Somente os indivíduos podem, sistematicamente, diminuir o poder do Estado.

Juntem-se. Arrecadem doações. Mobilizem voluntários. Fotografem a ação. Façam vídeos. Divulguem nas redes sociais. Anunciem a ação para a vizinhança. Em paralelo, eduquem as pessoas sobre a superioridade da ação voluntária em relação à ineficiência do Estado.

Existem empresas que vendem pequenas quantidades de massa asfáltica instantânea, ideais para pequenos reparos. A tecnologia por trás dessas soluções é tão eficiente, que elas independem de condições climáticas: podem ser aplicadas faça chuva ou faça sol. E isso sem depender de maquinário.

A solução está aí. Basta querer fazer.

É a união da teoria com a prática. E uma vez que as pessoas vêem, de fato, uma filosofia sendo aplicada no mundo real e gerando resultados igualmente reais, estas ficam impossibilitadas de gerar conclusões subjetivas. Os buracos estão tapados. Qualquer um pode ver. Qualquer veículo pode passar por cima sem preocupação alguma.

É vital mostrar que já vivemos em um ancapistão embrionário. É imperativo deixar claro que ações, mesmo que pequenas, mas executadas de forma constante, sempre nos levarão um pouco mais em direção à liberdade.

Consciências são moldadas. Ideias são internalizadas e, posteriormente, passadas a diante.

Uma onda pode começar com uma pequena gota.

SimSite Agência Digital

2 COMENTÁRIOS

  1. Entendi, a solução que você encontrou é fazer o que já fazemos quando precisamos de assistência médica por exemplo? Que por direito pagando impostos teríamos que ter um atendimento no mínimo satisfatório, mas pra não correr o risco de morrer pagamos um plano de saúde pra poder ser atendido e sair vivo. é isso?
    Ficar com o sentimento de estar pagando 2x pelo mesmo produto todo mês!
    Tipo, parem de reclamar vai lá e faz, mesmo depois de já ter pago através de impostos, vai lá, compra um saquinho de asfalto rápido, paga e tampe o buraco que tá no seu caminho.
    Com certeza, uma solução rápida, talvez eficaz, mas insuficiente.
    Interessante esse ponto de vista, confesso estar um pouco confuso, porque só vi vantagem pro cofre do Estado e do vendedor de asfalto rápido.

    • Pois então, Alexandre, a ideia é resolver um problema que requer solução imediata, ao mesmo tempo que educa as pessoas eficiência das relações voluntárias.

      Sobre o sentimento de pagar 2x: o nosso dinheiro já está em poder do Estado. Não temos como resistir a isso já que o mesmo detém o monopólio da coerção.

      Sobre “vantagem pro cofre do Estado e do vendedor de asfalto rápido”: o Estado não ganha nada com isso. Ele já nos rouba, quer queiramos ou não. Quanto ao vendedor de asfalto rápido, esse só está oferecendo uma solução para um problema real. Aliás, esse é mais um caso em que a iniciativa privada se mostra anos-luz de distância em termos de eficiência para propor soluções.

      Enquanto o Estado precisa passar por várias instâncias burocráticas, as pessoas em comum acordo podem resolver muito mais rapidamente os problemas imediatos.

      Para finalizar, quero deixar claro que o artigo foi feito para estimular as noções de associação voluntária e primazia do julgamento individual. Muita gente ainda não tem noção do poder desse tipo de associação, justamente porque esperam o Estado resolver tudo por elas. Despertar essa consciência libertária é o intuito deste artigo.

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