Prefeitos e governadores deverão responder por sequestro, cárcere privado, roubo e morte

Ave Imperator morituri te salutant

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witzel e doria

Algumas pessoas estão morrendo pelo Covid-19, outras o estado está cuidando da tarefa de dizimá-las, imputando a causa ao vírus. Vamos explicar o genocídio.

Os casos de pessoas infectadas pelo Covid-19 que precisam se deslocar até o serviço de saúde são na ordem de 15%. Desses, 5% precisam de cuidados em unidades de terapia intensiva. Aqui começa o problema gravíssimo que a imprensa não tem divulgado, tampouco as autoridades. Os números que informaremos encontram-se silenciados nas estatísticas. Vamos a eles. Fontes no final do texto.

A Itália, onde se registra o maior número de casos até o momento, na ordem de 80.539, com 8.165 mortes, dispõe para sua população de 0,83 leitos de UTI para cada 10.000 habitantes. Outros países Europeus seguem a mesma trilha da Itália em relação à disponibilidade de leitos: a Espanha possui 0,97; o Reino Unido 0,6; França 1,07; Portugal 0,4. Em relação à China, destacamos o número de leitos em 0,36. Devemos fazer um registro: todos esses países foram atingidos fortemente pela pandemia e adotaram isolamento de suas populações.

Por outro lado, dentre os estados europeus, o melhor controle é o da Alemanha com 36.508 registros de infectados, com 198 óbitos, disponibilizando para sua população 3,02 leitos por grupo de 10.000 habitantes. Não é de se estranhar que é o melhor desempenho na tragédia. Destaque-se também, possui uma população idosa como a italiana, ambas submetidas ao mesmo clima europeu.

Os dados europeus devem ser considerados e confrontados aos dados que temos para os Estados Unidos. Os norte-americanos possuem 3,47 leitos de UTI para cada 10.000 habitantes. O governo americano adotou medidas de isolamento, no entanto este isolamento difere de estado para estado.

Ilustrando os dados dos dois países com o maior número de casos diagnosticados: Estados Unidos e Itália. O primeiro com 81.488 casos diagnosticados, registrou óbitos de 1.178; o segundo diagnosticou 80.539, registrou 8.165 mortes. Não creio que se considerarmos como variável a população idosa Italiana determinaria essa discrepância do número de mortes, dado que essa mesma discrepância também se verifica em relação aos dados confrontados com a Alemanha.

É fato, diante do Covid-19, o acesso a respirador torna-se questão de vida ou morte para aqueles que precisam de Unidade de Terapia Intensiva. Não é de se estranhar que o cidadão italiano, espanhol ou francês não tenha a menor chance de lutar pela vida: é um equívoco conceber que os médicos escolhem os que vão morrer por falta de UTI e ventilação mecânica. O estado italiano é realmente quem se incumbiu disso. O cidadão não tem uma única chance.

O Brasil, por incrível que pareça, possui 2,67 leitos de UTI para cada 10.000 habitantes, somente não estando acima dos Estados Unidos e Alemanha.

Temos no entanto uma agravante, como todos os demais sistemas públicos de saúde, do qual não escapa o europeu e o canadense: trabalhamos com 95% da capacidade total, e isso é um problema grave. Nessa situação é necessária uma resposta rápida. É justamente o que os estados se revelam absolutamente incapazes, por não dizer criminosos.

Prosseguindo na realidade brasileira, questionamos: Sabendo da pandemia e dos problemas inerentes a ela, o mês de fevereiro deveria ter sido crucial para implementação de um plano de ação com edificação de hospitais de campanha e instalações de UTIs. Tomamos essa providência? Não. Estados e Municípios tiveram como prioridade o carnaval. O vírus já estava entre nós e eles permitiram a sua disseminação. Em outras palavras, foram omissos.

Nada fizeram no mês de fevereiro, pergunto novamente: o que tem sido feito no mês de março para enfrentar o problema? Respondo: Em relação a providências médico-hospitalares, os estados e municípios absolutamente nada fizeram.

Algum leito de UTI foi adquirido pelo seu município, caro leitor? Não. E o que estão a fazer? Respondo: estão numa tentativa vã de sequestrar pessoas, famílias e confiná-las em cárcere privado. Se tudo der errado – e vai dar errado como foi o caso europeu – a culpa será creditada à população, que não aceitou ser presa sem ter cometido crime.

Registre-se ainda, um leito de UTI completo não ultrapassa a R$ 250.000,00. Não obstante, o fundo eleitoral custa ao povo brasileiro 3 bilhões de reais, valor suficiente para adquirir 12.000 leitos de UTI. Seria um acréscimo 21,81% em nossa capacidade de atendimento. Mas os governadores, prefeitos e políticos em geral preferiram sangrar o governo federal com o gasto de mais 85 bilhões para sanar o problema da pandemia, que não se traduz em medidas concretas e que, acaso cheguem, será tardiamente, depois de termos sangrado.

O total de leitos no país é de 55.000. Desse total, informa a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), o Brasil dispõe de 14.800 leitos adultos no sistema público de saúde. Ainda segundo a entidade, um acréscimo de 2.960 novos leitos seriam suficientes para garantir os tratamentos das pessoas acometidas pelas consequências do Covid-19.

Os dados acima são reveladores e devem ser considerados como forma de alerta para todos os governadores e prefeitos. A configurar o mesmo destino europeu, ao final da epidemia, pela inequívoca omissão e, à medida de suas culpas, deverão responder pelo crime de genocídio contra a própria população.

Em relação a Rondonópolis, entendo eu que os responsáveis pela administração do município deverão responder pelos prejuízos materiais e econômicos causados a trabalhadores e empresários, arcando inclusive com encargos sociais junto à união, sem o prejuízo de responder penalmente pelas mortes que ocorrerão decorrentes de sua omissão.

As pessoas poderiam estar em suas atividades normais, e ter a paz e tranquilidade necessária para, acaso precisassem de atendimento hospitalar, ter a certeza de que terão uma chance. Mas isso não se vislumbra, a única certeza que se tem, e torna-se uma verdade de razão, é que morrerão pensando ser de Covid-19, quando é justamente pelas mãos do estado.

As UTIS salvam pessoas e o custo é infinitamente menor, mas preferem o caminho cruel, da morte, do roubo e da pilhagem. Deverão responder futuramente por tudo isso.

(Os dados acima foram obtidos junto à Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB); Ministério da Saúde; Jornal O Estado de Minas; e Revista Veja.)

3 COMENTÁRIOS

  1. Minha resposta é feita em forma de perguntas. O Mato Grosso tem hoje o registro de presença do vírus em 4 de seus 141 municípios. Considerando que a transmissão ocorre em uma primeira fase de país para país e que em uma segunda fase, por ser transmitido de pessoa a pessoa, ocorre de município a município. O que o governo estadual, considerando a grande extensão territorial do MT, vêm fazendo para evitar a expansão do vírus para os 137 municípios não infectados? Em outras palavras, quais medidas de contenção foram adotadas ara impedir a proliferação do vírus entre municípios?

  2. Parabéns Waldemar. Suas atitudes e sua visão ajundam e muito a moralizar, informar e acalmar o povo . Sinceramente muito obrigado amigo. Gostaria de um dia poder apertar sua honrada mão e te dizer pessoalmente o quanto és importante para o bem do povo brasileiro…
    Grato. Paulo Campello

  3. Quero apenas fazer justiça ao Governador Romeu Zema de Minas Gerais. Em meados de março, o governo estadual já tinha um hospital de campanha montado no Mineirinho financiado por empresas de Minas. Estava equipado? Um pouco, as UTI’ ainda não tinham todos os respiradores que necessitava, não tínhamos testes para todos os da linha de frente, como não temos até hoje. Tudo que a UFMG produziu foi para os que tinham mais casos. Fomos esquecidos porque fizemos o dever de casa, o que foi solicitado, porquê entendemos ser o certo. Ainda não chegamos no pico. Recebemos pacientes do Pará quando a coisa apertou por lá. Fizemos barreira sanitária porque o povo estava vindo pra cá. Resultado hoje não temos mais a qualidade e tranquilidade de antes, pois ficamos por último.

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