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Quem é o culpado e quem é a vítima do achocolatado envenenado

E essa história do achocolatado envenenado, hein…

Para resumir, um senhor era vítima frequente de assaltos e, na tentativa de se vingar do ladrão, colocou veneno num achocolatado esperando que este fosse consumido pelo bandido. Mas, em vez do criminoso, quem morreu foi uma criança cujo pai havia comprado a mercadoria roubada. Para piorar, a primeira a ser culpada pela mídia foi a Itambé, fabricante do produto que, além da publicidade negativa, ainda teve vários lotes retirados do mercado.

É uma história bizarra, digna de programas sensacionalistas e que representa bem a bagunça em que se transformou nossa sociedade.

Mas afinal, quem é o culpado e quem é a vítima?

A polícia tem culpa por não ser suficientemente competente em garantir a segurança dos cidadãos. Se os roubos eram frequentes, então o ladrão já deveria estar preso.

O Estado, formado pelos políticos incompetentes frutos de nossa deturpada democracia, tem culpa porque faz leis que protegem e soltam os ladrões que a polícia prende, quando prende.

O dono da residência é o caso mais curioso e estranho. Cansado de ser roubado, tentou fazer justiça com as próprias mãos e acabou matando um inocente. Detalhe importante: segundo matéria da revista Veja, o homem envenenou as caixinhas de achocolatados e os deixou dentro de sua própria geladeira, ou seja, ele não deu o achocolatado para ninguém.

É como se você armazenasse gasolina em um garrafa de guaraná, guardasse na sua dispensa, e um idiota invadisse sua casa e ingerisse a gasolina enganado. Você teria culpa? Por acaso devemos deixar bilhetes em nossas coisas para evitar que um possível ladrão se confunda? Enfim, essa parte da história é a mais confusa e que vai gerar maior polêmica.

O ladrão, obviamente é culpado por ser ladrão, mas não pelo assassinato.

E o pai da criança certamente tem sua parcela de culpa, porque comprou a mercadoria roubada, provavelmente sabendo disso.

De vítima, sobram a criança (que morreu), a mãe (que perdeu o filho) e a Itambé (que teve enorme publicidade negativa além de lucros cessados).

Conclusão

Num país onde:

  • o Estado acha que pode deter o monopólio da segurança pública, mantendo os cidadãos de bem desarmados;
  • a polícia não tem direito de fazer seu papel de protetora da sociedade por ser limitada pela justiça;
  • a justiça protege os criminosos;
  • um cidadão não pode defender sua propriedade sob o risco de ser considerado criminoso;
  • ladrões são considerados vítimas da sociedade;
  • e onde um pai se encontra numa condição em que prefere comprar alimentos roubados para dar para o próprio filho em vez de gastar seu dinheiro em um estabelecimento “regulamentado e protegido” pelo Estado…

Histórias bizarras como essa acabam se tornando recorrentes.

Edegar Belz
Analista de Sistemas com MBA em Finanças pela UNIC/FGV e presidente do Instituto Liberal de Mato Grosso.
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